SOBREMESA

SOBREMESA

SOBREMESA   Sobre a mesa, os quitutes mais formosos, Os gargalhes mais falaciosos, E a dourada sânie que nem Hipócrates cura... Eu, me calo ante os rótulos e títulos de vaidades,   Em verdade, rogo um pão com margarina a mais Saborosa ventura de ser livre da prisão...

O BAILE

O BAILE

O BAILE   São três horas de uma hora madrigal, a lua, já ate parece estar lôbrega e embriagada… — Aliás todos estão! Mascarados embriagados, envaidecidos, gargalham carcarejadamente, e a música é mero murmúrio desse momento.   É um baile de máscaras! Em que os...

DELÍCIAS ÍNFIMAS

DELÍCIAS ÍNFIMAS

DELÍCIAS ÍNFIMAS Eis o Anjo lascivo de ínfimo corpo... desnuda segredada no silêncio do corvo. na sádica valsa dos mortos, em que vives e alça o delírio dos corpos! Quão a serpe que se rosca n'outra serpe posta e nua... Ou nuas? Neste templo em que mádido é o tempo, e...

SONETO TRISTE SINA

SONETO TRISTE SINA

SONETO TRISTE SINA   Luíza foi… Sim, foi, Lá para longe, Lá onde visconde escuta Drão… Dil seu tio amado, Matuto do serrado perdeu o chão, Banqueiro meteu a mão, Dinheiro faltou e Luiza se foi por esse mundão, Da vida de andanças buscar esperança Alugar casa nova...

EXÍLIO

EXÍLIO

EXÍLIO Ainda que tardio, vim; — Enfrente! Eu e a mala carmim, Num pais dentro da pedra, de um caminho sem saber, se sou Rio ou a Ilha, Certeza apenas da quimera, do além-mar que deixei pra trás e que por vezes falta faz. Vim buscar asas, estrelas, transbordamentos...

QUIÁLTERA

QUIÁLTERA

QUIÁLTERA   Qual o preço da poesia? Perguntou-me uma Dona em minha porta, Quanto custa o pão do verso? Surpreso, sorri, mas sem resposta contive-me, Pois não há gratuidade em perecer… o riso pesou-se em gramas,   Eis que: Qual o peso da poesia? Pesa feito grão? Pesa...

DIZ DESDIZ

DIZ DESDIZ

DIZ DESDIZ   DES armo DIZ amo DIZ ah! DES almo DES almejo DES cubro DES fruto DEZ noites DES nudas DES com passa das DIZ eres DES espera DES esperança DES cansa DES calça DIZ dança?   (Anderson Delano Ribeiro)   (Foto original por Du R Maciel –...

DESVINCULEI-ME

DESVINCULEI-ME

DESVINCULEI-ME Desvinculei-me da vis pedregosa em mim, quatro partículas dolorosas de fim, Enfim, desvesiculei os versículos de morte, Num quarto, sete pontos e meus quatro cortes. (Anderson Delano Ribeiro)

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