QUIMERA

QUIMERA

QUIMERA
 
Não era a face da aurora
Perdida no espaço tempo
dos teus olhos
 
Talvez o reflexo luminoso
Da tua alma refrescasse
Meus versos vencidos no silêncio
 
A dor, que tira o sono
E adormece os feridos
No último suspiro… O silêncio!
 
Ainda suspeito das memórias vãs
Que de infante cria na esperança
De novos dias afetuosos
 
Que inda tormenta o vazio da noite
Não, não era a face da aurora
Perdida no espaço tempo…
 
Era um sorriso desesperado ante ao fim!
Era como um sonho desperto!
Que sonho seria despertar… No fim!
 
Aí de mim! Ai de mim!
Que está cura amargurada
Vesana arraigada… chegue enfim!
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Matheus Bertelli no Pexels)
DA MORTE

DA MORTE

DA MORTE
 
Da morte o beijo suave
Um sopro sereno
Um canto sussurrado
 
Da paz que transgride os ossos
O perfume das rosas
A festa dos vermes
 
A terra que se alimenta
A vida que brota
Do solo que sou
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Mikhail Nilov no Pexels)
SONETO DA PRINCESA DO AÇOITE

SONETO DA PRINCESA DO AÇOITE

SONETO DA PRINCESA DO AÇOITE
 
Eu viajo por entre as brumas,
E canto por entre as urnas;
Sou a observadora da noite,
A princesa de todos os açoites.
 
Eu vago, sou a erradia noturna,
A vadia dos meus artistas;
Faço meus templos em suas tumbas;
Amo, todos os tostes a minha vista.
 
Sobrevoo todos os sonhos,
Possuindo-os tão risonhos.
Eu sorrio aos escolhidos,
 
Trago-lhes meu afago,
Dou magia ao pobre mago;
E encaminho os tão sofridos.
 
(Anderson Delano Ribeiro – 2005)
 
 
(Foto de Becerra Govea no Pexels)
TRÊS MARIAS

TRÊS MARIAS

TRÊS MARIAS
 
Fora a flor de múltiplas sépalas,
Perdi-me dentre múltiplas formas
De um amor liberto e libertário…
 
De inicio, éramos como um duo,
Eu um solista só em dó maior,
vestido em canção, te despi em tercetos,
 
Polifonia dos pássaros, paira sem parar,
Desnuda a palavra de uma poesia silenciada
Que só tu sabes, e só eu sei quão idioma dos teus olhos
 
Ela tem domínio de Serpe que seduz a aurora,
Tem candura de ser passarinho,
Onde sou ninho, não há distância que renegue, sou Rio.
 
E sorrio frente a tépida Sibila de castanhos entardecidos,
É a hora do minuto eterno,
aportar do sonho ao céu da boca,
 
Rente a cova curvilínea,
alcova da saudade,
mata sede três Marias…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Omar Alnahi no Pexels)
SONETO RODOVIÁRIO

SONETO RODOVIÁRIO

SONETO RODOVIÁRIO
 
Engole o choro
Foi em vão
Não se cobra amor
Onde ecoa solidão
 
Da saudade que restou
O desenho feito a mão
Não se colhe amor
Onde fora paixão
 
Engole seco
as palavras
que te negam
 
O tempo do eterno
Passou e eu fiquei
Na espera da volta que te deixei
 
(Anderson Delano Ribeiro – 2017)
 
 
(Foto de Omar Alnahi no Pexels)
CONFISSÃO

CONFISSÃO

CONFISSÃO
 
Não era a aurora, talvez o tempo do eterno perdurasse
o segundo da espera, os significantes do mundo
cantavam a melodia das cores, de certo, era grave!
E a lua teimava em firmar-se rente a igrejinha
a lembrar-me do caminho curto para tocar as estrelas
rente a curva de um certo sorriso…
Foi efêmero feito flor, foi eterno feito Rio,
e dos campos pus-me a viver como se soubesse,
que logo despertaria.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
SONETO FEITO FUMAÇA

SONETO FEITO FUMAÇA

SONETO FEITO FUMAÇA
 
Na conjuntura do vazio
O Rio é realmente violento
Ainda que haja cor
Não há casa, não há tempo
 
Na linha que leva a Dutra
Há um cinza prolixo
Dos olhos perdidos no lixo
Nos cantos no metrô
 
A capital está longe de Capitu
Ainda mais longe de Capitólio
Do ventre verde das Gerais…
 
Resta a inspiração da fumaça,
Tóxica e ácida na pressa preciosa.
Distante da Alegre fumaça cachoeira.
 
(Anderson Delano Ribeiro – 2017)
CAPITU E O MAR

CAPITU E O MAR

CAPITU E O MAR
 
Poemar estrelas,
Escutar a lua,
Pelo mar transbordam
Quão teus véus costura,
 
Cada gesto um toque,
A dançar flutua,
Do mirante ao forte
Teu espaço estrela,
 
Conduzem as mãos
A escrever na pele,
Feito areia úmida
Entre os passos
 
O Tempo…
 
É pra lá do norte,
feito a cor da noite
Perfumados feixes
Se misturam ao vento
 
Num idioma idílico,
De brisa, riso e vinho tinto
Escrevemos a eternidade
etérea na esquina do mar.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Pavel Danilyuk no Pexels)
UNIVERSO

UNIVERSO

UNIVERSO
 
Universo
Une vértebras
Laçar de mãos
 
Uno Poema
Não trema
No trema
 
Cujo amor
Acentua
Desritma, flutua
 
A Loucura do Mundo!
Profundo Sentir
Não choras, eu volto
 
Que metade não é Uno
Que se parte ao partir…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Anna Shvets no Pexels)
SONETO ÍNTIMO

SONETO ÍNTIMO

SONETO ÍNTIMO
 
Eu decorei o teu corpo em meu desejo,
Em tanta sintonia te prevejo,
Cada pétala aos ombros guardo um beijo,
E o teu laço desfaço nos lábios meus…  
 
Eu decorei teu cheiro, teu gosto, tua voz!
Te desenhei por inteiro, dos pés descalços
Aos sinais que me guiam,
Estrelas corpóreas dela!  
 
Os desejos dela são os meus!
O gozo dela é o meu! O sabor, meu vício!
Amo cada riso, cada psiu! Não te fujas!  
 
Me conduzas! Em cada esquina espreguiçada,
Me alimenta, que a poesia dos teus seios sustenta!
A magia pelo a pelo, sussurro do apelo do segundo eterno!
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Chermiti Mohamed no Pexels)
TEOREMA SOBRE TEU NOME

TEOREMA SOBRE TEU NOME

TEOREMA SOBRE TEU NOME
 
É que teu nome é saudade…
Na tarde de mais um setembro,
A intensidade dos olhos
não é mais a mesma,
 
Ante o agora que me agoura a alma.
Fostes o desaguar no Rio dos ares cinzentos,
Não importa a cidade quem faz a saudade
No reencontro do olhar sempre nasce outra vez,
 
É que teu nome tem perfume de cor,
Tem essência de estrelas no riso,
E nem toda mobilidade urbana
me leva tão celere ao teu seio contrito,
 
Tu me chamas! E agora são 3:00 da manhã,
é hora de contar constelações contigo…
Me perco a percorre-las entre o céu e teu colo,
Na verdade o bom Amor, é o melhor amigo.
 
Jardineiro do sentir,
geógrafo das tuas ondulações, a mapear-te,
das tuas galáxias às dunas corpóreas
que florescem e se afloram ao toque meu.
 
É que teu nome é destino,
que eu me torno menino
quando tuas asas se erguem
Poderosamente do teu dorso lunar,
 
E o céu vira festa!
E os passarinhos se agitam,
varrendo a tarde descompasadamente
cantando serenes no idioma do teu olhar.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto de Neosiam no Pexels)
SECARÁ

SECARÁ

SECARÁ
 
Vai secar, minha mãe já dizia…
Secará o pranto, sem acalanto,
Secará, secará o peito,
Expurgo ao leito,
 
Deixará migalhas afetuosas
para um dia voltar, se houver lugar!
Ah secará, a roupa na corda,
 
O pé rente a borda,
prestes a saltar!
Se encarar, o medo absurdo,
a fome e o luto,
 
Transbordo a lutar,
Secará, a voz embargada,
Despida e chegada,
A Loucura de Amar.
 
(Anderson Delano Ribeiro – 2016)

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