GESTOS RUBROS

GESTOS RUBROS

GESTOS RUBROS
 
Lírio valente,
Delírio em flor,
Potente!
De liras delirantes,
 
Que sente!
A flor da pele,
Rente a alvura
Que me turva,
 
E se prosta o céu
Na altura
do teu dorso,
 
Caule curvilíneo,
Gestos rubros!
De lírios ardentes.
 
(Anderson Delano Ribeiro – Novembro de 2019)
POR OUTRO OUTUBRO COMO O TEU

POR OUTRO OUTUBRO COMO O TEU

POR OUTRO OUTUBRO COMO O TEU
 
Enquanto ela dormia,
Sem saber, era ela poesia,
E eu menino ficava perto
Da sua imensidão,
 
Contava os sinais com a mão,
De toda sua constelação,
Com os braços bem alto,
Ela dormia…
 
Para alcançar o céu,
De certo eu sabia..
E ela espreguiçada, sorria…
Como quem foge dos finais,
 
Reticências num bom dia,
Três estrelas, três marias,
Que zelei à madrugada
E ela nunca saberia…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
SETEMBROTOU

SETEMBROTOU

SETEMBROTOU
 
Se tem brotou no vazio a flor,
o canto dos pássaros
chamavam pra dançar,
enquanto chovia em mim,
 
todas as tempestades que engoli,
gotejantes, comprimidas,
no céu da boca…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
NA SACADA POSSO VER O SILÊNCIO

NA SACADA POSSO VER O SILÊNCIO

NA SACADA POSSO VER O SILÊNCIO
 
Na sacada posso ver o silêncio,
ouço o riso do vento inflamando meu peito,
a cidade segue a produzir aço,
os trens torpes marcham a pão e ferro,
 
A mesa vazia rodeada por cadeiras desritmadas,
tão bela sala íntima e vazia, retrato de um coração,
reflexo de um sonho, companhia que não veio,
receio achar bela esta sala, este vazio,
 
Acostumado a solidão,
intimidado no destino de crescer e deixar de fora
o menino que sonhara voar por esta sacada
sem despencar no real…
 
A vida, está vida que alimenta,
sustenta e me mata aos poucos
não necessita de sentido,
mas sentir-se vivo,
 
Como a canção dos pássaros aos castanhos sois,
e as constelações combinadas
de um signo de fogo e ar
que nunca me esqueci…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
SONETO CORES PERDIDAS

SONETO CORES PERDIDAS

SONETO CORES PERDIDAS
 
Perdura, estranha loucura,
Perdoa e me cura?
Perpétua flor de agruras,
O sonho que flutua…
 
Na névoa se situa,
Jardim que se esqueceu,
Perpétua perpetua…
Não minha, mas tua…
 
Candura? Se foi…
Quem espera na esquina?
A menina, certa hora,
 
Teimosa senhora,
Da dor que me adormece,
Não esquece, do que foi.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
SONETO ENTRE FRACASSOS

SONETO ENTRE FRACASSOS

SONETO ENTRE FRACASSOS
 
É que o meu fracasso, 
É que afeto não se compra, 
E saudade não se encontra
Em ritmia em outro peito,
 
É que meu fracasso, 
Não se mede no abraço, 
Não precede ao laço, 
De um plano perfeito,
 
Talvez meu fracasso, 
Foi ter sido poeta, 
Em sentido da meta
 
De sentir carne osso, 
É que talvez meu fracasso, 
Foi não ter sido de Aço.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
NO DIA EM QUE OS PASSARINHOS CANTARAM

NO DIA EM QUE OS PASSARINHOS CANTARAM

NO DIA EM QUE OS PASSARINHOS CANTARAM
 
No dia em que os passarinhos
cantaram.
Eu jurei ser poesia,
Todo amor que me cabia,
 
Eu jurei por ti seria!
Que de amor eu viveria,
Por amor pra vida inteira,
Quem diria verdadeira
 
A promessa no banquinho,
Era anjo ou passarinho?
Festejaram num amém…
 
Mas teu voo fez-te embora,
E dos campos fui além,
A poesia que hoje chora,
Passarinha por ninguém…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
RETRATO EM PRETO E BRANCO

RETRATO EM PRETO E BRANCO

RETRATO EM PRETO E BRANCO
 
Sem cor,
pálida flor,
 
sem vida,
pedida,
 
perdida
na esquina
 
do verso,
do verbo…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
CACTOS AMANHECIDOS

CACTOS AMANHECIDOS

CACTOS AMANHECIDOS
 
Em mim habitam muitos vazios,
Resolvi preencher com vasinhos,
Cactos amanhecidos na janela,
Numa débil tessitura
De força e delicadeza,
 
Confesso que a destreza no peito
É medo que a tristeza inunde o leito,
Transbordando na quaresma
Os restos dos dias de festa,
 
Que ventura amar na vida
O eco do teu silêncio…
No âmago da taciturna flora,
 
Que perdura andar perdida
O ego em sangramento,
O sândalo perfuma a história…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
O QUE É SAUDADE?

O QUE É SAUDADE?

O QUE É SAUDADE?
 
Saudade é sopro que invade a caixinha de eternidades
e nos leva ao outro em momento fora tempo.
É o pedaço que trocamos com o outro.
E que sussurra baixinho histórias de uma vida vivida
 
Ou mesmo sonhada…
Saudade é conexão que não cai como o wifi,
é presença mesmo na ausência.
 
Transbordamento quieto em riso ou lágrima…
Saudade é quando o templo do outro em nós
se acende no peito.
 
E festeja em barulhenta gratidão pela eternidade vivida,
que não nos deixa dormir…
Pois estamos muito ocupados cheios de “E se”…
 
(Anderson Delano Ribeiro)
CASEBRE

CASEBRE

CASEBRE
 
 
Coração vazio
Casa abandonada
Na beira da aorta
Aos fundos da estrada
 
(Anderson Delano Ribeiro)

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