A BIBLIOTECÁRIA
 
A bibliotecária é o oráculo,
A guardiã das idéias,
O ideal das Amélias,
A dona do tabernáculo.
 
Na frieza das estantes,
Quão pilares empíricos,
A beleza esconde, ante
aos lírios mais líricos;
 
Um jardim de tantas cores,
Colhe versos acolhedores,
Lavrando soluções
a tantas preocupações.
 
Atenciosa sempre,
Fabulosa rente
a mesinha,
Sentada sozinha
 
É a mais chamativa das obras,
A menos acessível a nós;
Que acesso mesmo sobra?
Além dos murmúrios dos poetas sós.
 
Lembro-me! A bibliotecária,
É a mulher sem nome…
Marina, Regina, Ivone…
É serena como uma ária
 
De Chopin, ou mesmo Beethoven,
Ouvem? Vejo um sorriso nos lábios,
Tem um certo mistério dos sábios,
Mistério que os anjos não ouvem.
 
(Anderson Delano Ribeiro – Meados de 2005)