IMENSIDÃO NOTURNA
 
Mística fada, anjo talvez?
Deixa-me tocar-te tua tez;
E sonhar os teus sonhos,linda,
Tão linda que tem a tua sina…
 
Nesta noite lôbrega e obscura,
Trouxe-me Deus um ser luzente,
Menina, napéia dos vales desnuda,
Cura, este teu pierrot fremente.
 
Dá-me teus mádidos lábios a beber.
A Primeira estrofe do canto do profeta;
Prima o sonho ser de um poeta,
Que nos zéfiros colhe teu hálito em verve.
 
És a Vésper do segrel andante
Vinde a mim princesa dos mares,
Pois nos ares de lis,
Do graal dos amantes bebi…
 
Nas sépalas embriaguei-me, e sofri,
Com a beleza do teu dorso de ave,
Das aves és a mais bela ao céu,
dos meus sonhos, fez-se a senhora do véu.
 
Que tormenta turva-me os olhos,
Arrebata-me o siso, faz despencar
Meu corpo ao chão, pois desperto…
Perdendo-te nas brumas do alvorecer.
 
Mas te sinto, inda por perto,
Teus olhos a espreita dominam meu querer;
Pois tu deténs o ópio da vida na boca,
E o néctar da vis nos pomos róseos;
 
Frutos de carne doce, que colho e acolho,
Rosiclers como a aurora louca;
No encontro da luz com a imensidão,
Duas almas oceânicas finalizam a solidão.
 
As ondas em teu seio encontram um lar,
Morada tua, minh’alma nua luz,
Tua alva luz em flor,
A paz imensa em ti, doce canção de amor.
 
(Anderson Delano Ribeiro – Meados de 2004)