SES YEUX

SES YEUX

SES YEUX
 
Joga Jogral sementes às nuvens!
Há que estás nuvens levar os medos?
Ante aos colibris perdidos em arvoredos,
Cuja a dor é temor, a que as rosas enviúvem!
 
Há que estas nuvens serem mãos
da minha musa perfeita?
A senhora de todas as seitas,
Não! Há de ser um soprar ou não?
 
Deusa devoluta das minhas ideias,
Nona, não oitava, sepulta as velhas!
Me escolhe, se esconde,
Como eu clérigo conde?
 
Em uns sonhos sou favônio,
Docemente, sou um Lord,
Em seu templo faraônico,
Todo seu, tudo pode…
 
Nem incensos, nem incestos!
São insetos rutilantes a colar no céu,
Tantas mirras sobre a Cruz e Sou já
Teu, como o Eco dos restos…
 
Minha Poética semeia fogo, luz e treva!
Anjo algoz vem me leva!
Minerva, enerva a dor da luta à glória,
 
— E me abismo, no Abismo do Olhar!
(Contendo a paixão simplória.)
 
O Amor, semeado voa cadenciado,
Meu sêmen, teu crepúsculo!
Um amanhecimento congênito…
Joga Jogral sementes às nuvens!
 
(Anderson Delano Ribeiro)
PNEUMÁTICO

PNEUMÁTICO

PNEUMÁTICO
 
 
Tosse…
peço que não tome posse
dessa dor,
posto que inda rima,
 
esta minha sina
doce de poetizar…
Cantante Pneu, sinfonia
corrente ao ar.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
ÀS VEZES

ÀS VEZES

ÀS VEZES

Às vezes, uma arvore
não é uma arvore e sim amor,
Às vezes, um galho é o vazio,
e folhas, são plumas vegetais de sonhos vãos…

Às vezes, um charuto
não é um charuto psicanalítico,
E o Itabira, já dizia, é so o Itabira.
Às vezes a poesia é muda…

E mudinha vira flor…
Às vezes, se vês pássaro céu,
Deus sorri em tons corais.
E certas vezes, o vezes não multiplica nada!

— Só divide…

(Anderson Delano Ribeiro)

DAS TEMPESTADES

DAS TEMPESTADES

DAS TEMPESTADES

Largos passos,
De ríspido pranto
Dos lagos secos,

Destila-me o sereno,
Destina-me teu veneno,
Ad infinitum me livro…

Marca-passo, marca-livro,
marca-lauda, marca o siso,
marca o tempo a tez o pliso.

(Anderson Delano Ribeiro)

ASAS AO NORTE

ASAS AO NORTE

ASAS AO NORTE
 
 
Brasília a noite,
Vim buscar Estrelas!
Mas outrora em vê-las,
Perdi-me o siso!
 
Agora indeciso,
Eu busco meu Mar!
Onde hei de prostrar
memórias tempestas…
 
Estas luzes não me guiam,
Desfiguram minhas réstias,
Mas aqui, bramam-se os dias,
 
Ordem e Progresso revesso!
Egresso nestas quadras,
712 contos de Fadas.
 
 
(Anderson Delano Ribeiro – 2006)
RIMA BREVE 2

RIMA BREVE 2

RIMA BREVE II

Rima breve,
leve contigo o démodé,
o clichê e o patê gourmet,

Quero mais que padedê,
pra render meus paetês,

Que não sei por que,
fremem por você.

(Anderson Delano Ribeiro)

NA SOLIDÃO

NA SOLIDÃO

NA SOLIDÃO

Na solidão
a comida
nem sempre
é feijão,

Saberias
a questão,
dissabor
amargo,

Que matuto,
refuto
o prato
devoluto,

Toma me
poema,
consome,
que eu sumo…

(Anderson Delano Ribeiro)

 

HAIKAI OMISSO

HAIKAI OMISSO

HAIKAI OMISSO

De todo O Mito,
Sei que Mente
o reflexo do que Soul.

(Anderson Delano Ribeiro)

AMARULA

AMARULA

AMARULA
 
Amarelo em mechas loucas,
Que eu quero em réstias soltas,
Toco os lábios em ventura
Arde a boca em amarula.
 
(Anderson Delano Ribeiro)
 
 
(Foto por David Levine – CreativeCommons)

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