AREIAS NEGRAS

Quão bela trilha,
Tênue sinfonia,
Ondas aos pés da ilha,
Eia, própria sintonia,

Desenterra este âmago
do baú das agruras,
O tesouro amargo
desabrocha,

feito aráceas em flor,
Das lacrimais ondas
flutuam ritmadas águas-vivas,
garças riscam a lauda-céu,

Quão unhas outrora
cravadas no peito,
Santo é o Espírito das rimas!
Do eterno no efêmero…

A Poesia! Canto a candura
dos Quiriquiris de Marataízes.
Contemplo, com tempo,
O templo aberto da Vida — O Mar!

Inspira… Egresso deste devaneio,
percebo, a mádida magia,
Tácita brisa fria deságua em elegia,
Réquiem à própria melodia.

(Anderson Delano Ribeiro – Escrita em 2007 revisitada em 2026)

 

(Foto de Tiana no Pexels)