ZÉJEL N°06 (DOCE MORFINA)

Neste infinito estirão em que o vento,
Parece desafiar a luz efêmera dos tempos;
Poucas serão as belezas até o templo;
Em que as desgraças da vida parecem constantes.

E uma ninfa é ansiada para um breve instante,
Com as lâminas afiadas de uma asa cortante;
Ou qualquer salácia de um anjo bacante;
Aguardo teu tépido beijo de menina.

O sinal de uma profecia divina;
Comédia aos deuses que aos românticos fascina,
Desejando-te menina morte ou doce morfina;
Pois não há beleza-mor até o intangível templo.

(Anderson Delano Ribeiro – 2005)

 

(Foto de Pitt Rom no Pexels)