A CONDESSA

— Salve a Deusa, Ave a Condessa!
Antes que a ventura padeça,
Antes que o mar resplandeça!
Sálvia doce aconteça…

Senhora do Quadrilátero Cruls…
Erradia em minhas paixões,
Nos afrescos da Catedral,
Prosto-me ao chão contigo,

Como o cântico antigo:
Estás tu, na tez de todas as musas!
Se sois única e muitas… És minha!
Rainha das 712 quadras;

Ecoa teu tom em mim,
Quão canoro canto do tangará!
Sete vidas, sete sonhos,
Santa alva do altar!

Perguntas se te quero?
Se te espero na alvorada?
O tepor dos teus mistérios,
Mais sincero é o meu Amor!

Límpidas urnas resplandecentes,
Indecentes ao teu colo febril…
São os frutos da Serpente
Num vestido azul anil?

Nemesias e Hortênsias
Dão vida a morte!
Consorte, te sigo
nos passos desta dança,

Faz morada em meu corpo?
Teu reino, em meu corpo!
Dorme, dorme princesinha…
Dorme em meu peito morno,

Condensa as aguas do porto,
Minha Condessa menina,
Mulher que o sabor das frutas domina,
O algor das lutas termina!

Vencendo as horas, os dias,
A distância sobre as vias,
Andante, pelas quadras prestante,
Descoberta em anseios meus,

Despida de qualquer temor,
Quão a lua veste a noite,
Macaio veludo e teu véu,
Um dédalo de estrelas e céu!

Intangível foi-se o tempo!
O momento é além,
O infinito é aquém,
E o além fica dentre as auroras

Aureoladas nos olhos desta mulher!
Réquiem a ti!
— A Condessa do Quadrilátero Cruls.

(Anderson Delano Ribeiro – Escrita em 2005 revisitada em 2025)

Quadrilátero Cruls: A Missão Cruls foi uma Comissão Exploradora do Planalto Central, composta por pesquisadores e cientistas de diversas áreas, chefiada pelo astrônomo e geógrafo belga Louis Ferdinand Cruls, a Missão Cruls demarcou uma área de 14.400 Km² para a futura capital, batizando-a de “Quadrilátero Cruls”. Mais tarde conhecida como Brasília.

 

(Foto de Heber Vazquez no Pexels)